Hoje, dia 1 de dezembro, dia mundial de luta contra AIDS, é o momento ideal para conversarmos sobre esta doença e a gestação.

De 1980 – início da epidemia no Brasil – até junho de 2012, o número de casos de AIDS (doença já na sua forma ativa) era de 656.701. Ainda há mais casos em homens do que em mulheres, no entanto esta diferença tem diminuído ao longo dos anos. A faixa em que a AIDS é mais incidente, em ambos os sexos, é a de 25 a 49 anos de idade, ou seja, durante a idade fértil da mulher.

O pré natal é o momento de rastreamento de doenças na gestante, dentre elas, é sempre solicitado o exame de HIV já no primeiro trimestre de gestação. Muitas vezes esta é a única oportunidade de rastreamento para a doença que a mulher tem ao longo da vida, e não deve ser negligenciada pelo médico pré-natalista.

A taxa de transmissão do HIV de mãe para filho durante a gravidez, sem qualquer tratamento, pode chegar a 20%. No entanto, se a gestante segue todas as recomendações médicas, a possibilidade de infecção do bebê reduz para menos de 1%.

Quando a mãe é portadora do vírus, surgem dúvidas quanto ao tratamento, gestação e aleitamento, seja ela uma portadora antiga ou com recente diagnóstico. O tratamento com antiretrovirais está indicado para todas as pacientes durante o período da gestação, tanto para as pacientes já em tratamento quanto para aquelas que não têm sintomas e não fazem uso de medicação – para estas, após o término da gestação, o tratamento pode ser suspenso conforme orientação médica. Deve-se ressaltar que todo o tratamento é GRATUITO, fornecido pelo SUS.

A via de parto mais indicada vai depender da avaliação da gestante. O parto normal é possível, porém gestantes com carga viral (ou seja, quantidade de vírus presente no sangue) maior do que 1000 cópias/ml ou aquelas sem dosagem de carga viral após 34 semanas de gestação, devem ter como via preferencial de parto a cesárea eletiva (agendada): que deve ocorrer antes do trabalho de parto, com bolsa íntegra e com 38 semanas de gestação.

Ao chegar na maternidade, toda gestante deve receber o AZT (antiretroviral – zidovudina) durante o trabalho de parto até o nascimento do bebê. Já aquelas paciente que serão submetidas à cesareana eletiva, devem receber esta medicação 3 horas antes do procedimento.

A mãe NÃO deve amamentar o recém nascido, uma vez que seu leite contém o vírus HIV. Os bebês expostos ao vírus (filhos de mães HIV positivo), seja ela infectada ou não, terá direito a receber fórmula láctea infantil gratuitamente, pelo menos até completar 6 meses de idade.

O recém nascido deve receber xarope com AZT, nas primeiras duas horas após o parto até 6 semanas de vida, e ser encaminhado ao centro de referência.

Com todas estas medidas determinadas pelo ministério da saúde, hoje a incidência de AIDS em crianças menores de 5 anos está em queda.

Exija seu exame de rotina, e se positivo, siga as recomendações de seu médico, afinal, se você for portadora do vírus HIV, seu filho pode nascer sem a presença do vírus.

Fonte: http://www.aids.gov.br