Nessa última semana voltaram a aparecer reportagens sobre as famosas que comeram a placenta após o parto. Mas isso faz bem mesmo? É só moda? Vamos lá!

A placentofagia (comer placenta) é realizada na maioria dos mamíferos. Sabemos que a placenta apresenta prostaglandinas e ocitocina, substâncias que auxiliam a involução do útero (quando o útero contrai para voltar ao tamanho normal de antes da gestação), diminuição do estresse após parto e lactação, modificar os opióides endógenos o que amenizaria a dor do pós-parto, além de não deixar rastros para os predadores.

No nosso caso, a placentofagia humana é cultuada em algumas culturas com a crença que diminuiria a depressão pós-parto e outras complicações; porém análise de diversos estudos científicos não evidenciaram essa proteção, a redução de dores, maior energia, auxilio na amamentação, melhora na elasticidade da pele, aumento no vínculo entre mãe e bebê e nem sequer é fonte de ferro para a mãe. Ou seja, NENHUM estudo comprovou qualquer benefício em ingerir a placenta.

Assim, devido a ausência de benefícios comprovados em estudos científicos, a FEBRASGO, Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, desaprova a prática. Pois também ainda não há evidência de quais seriam os riscos.

É super importante ressaltar que a placenta, como comentamos, contém diversos hormônios, que não são indicados para crianças! Então se realmente se comprove que eles têm a ação esperada caso sejam absorvidos pelo trato gastrointestinal, as crianças não devem ingerir a placenta. Além disso o fato de oferecer a sua placenta para outras pessoas é extremamente perigoso, não apenas pelos hormônios, mas principalmente pelo risco de transmitir infecções. Todos os agentes infecciosos daquelas doenças rastreadas no pré-natal e de diversas outras que não fazem parte da rotina de exames podem estar presentes na placenta (HIV, hepatite, sífilis, toxoplasmose e etc), então pode ser muito perigoso dividir e ingerir a placenta alheia, ainda mais in vivo – crua.

Por enquanto, o que temos hoje na medicina baseada em evidências, é que comer a placenta, em cápsulas, in vivo ou cozida não traz benefícios para a mulher nem para o bebê e menos ainda para o irmãozinho… isso é o que sabemos hoje, quem sabe, num futuro, estudos mostrarão o oposto.

Referências : (1)http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/06/150603_comer_placenta_mdb; (2) http://www.febrasgo.org.br/site/?p=8730