Olá, mulher descomplicada! Este post é dedicado a você que está grávida ou pretende engravidar em breve e está preocupada porque seu tipo de sangue é negativo! Vamos esclarecer tudinho sobre como o tipo de sangue pode afetar a gravidez.

Primeiramente temos que deixar bem claro que o tipo de sangue Rh negativo só pode afetar a gravidez se a grávida apresentar este tipo de sangue e o pai do bebê tiver sangue Rh positivo, o que faz com que o bebê POSSA nascer também com sangue Rh positivo. E, sendo o bebê Rh positivo, o sangue dele precisa entrar em contato com o do mãe para que o sistema imune dela produza anticorpos contra o sangue do bebê que vão atuar numa segunda gravidez, podendo causar uma doença chamada ERITROBLASTOSE FETAL. Aff… Complicou né? Calma, vamos facilitar!

Primeiro: O fator Rh só é importante na gravidez se a mãe for Rh negativo e o bebê for Rh positivo. Para que isto possa acontecer o pai do bebê tem que ser Rh positivo.

Segundo: É preciso que o sangue do bebê entre em contato com o sangue da mãe para que ocorra a reação. Isto geralmente ocorre só no momento do parto, mas também pode acontecer se a grávida tiver algum tipo de sangramento durante a gestação, nos casos de gravidez nas trompas, abortamento, forte impacto na barriga durante a gravidez e após a realização de exames invasivos como biópsia de vilo corial ou amniocentese.

Terceiro: A reação que ocorre entre os sangues funciona mais ou menos assim… Quem é Rh positivo (no caso, o bebê) possui uma proteína chamada antígeno D na superfície das células vermelhas do sangue. O sistema imunológico da mãe (que é o sistema do nosso corpo que nos defende das coisas estranhas) reage contra o antígeno D do sangue do bebê como se ele fosse um “invasor” e produz anticorpos contra ele. A isso dá-se o nome de “sensibilização”.

Quarto: Essa sensibilização normalmente não causa problemas na primeira gravidez, mas se você ficar grávida de volta e o bebê for Rh positivo de novo, os anticorpos do seu sistema imunológico podem atravessar a placenta e atacar as células do sangue do bebê, provocando uma doença chamada eritroblastose fetal ou doença hemolítica perinatal. Os sintomas desta doença vão desde uma leve anemia e icterícia (coloração amarelada de pele e mucosas) até deficiência mental, surdez, paralisia cerebral, inchaço generalizado, fígado e baço aumentados, anemia e icterícia graves e morte durante a gestação ou após o parto.

Quinto, e mais importante: COMO EVITAR?
É preciso fazer uma injeção muscular chamada imunoglobulina anti-D. Essa injeção funciona como uma espécie de vacina destruindo rapidamente qualquer célula do bebê que esteja no seu sangue antes que você comece a produzir anticorpos contra ela. Esta injeção poderá ser feita durante a gravidez (quando o pai do bebê é Rh positivo) entre a 28ª e a 30ª semana de gestação e/ou até 3 dias após o parto (se o bebê for Rh positivo).

Se você já possui os anticorpos, o que a gente consegue descobrir atráves de um exame de sangue chamado COOMBS INDIRETO, não é preciso receber a vacina, porque ela só tem utilidade para evitar a fabricação de anticorpos e não para destruir os que já existem.

Agora, vou fazer um parênteses aqui para aquelas que já fizeram a injeção e repetiram o exame de COOMBS INDIRETO e este veio reagente. Calma!!! Não se desespere. Isto é apenas resultado da imunoglobulina que foi aplicada. Não significa que seu bebê nascerá com a doença.

É isso aí, mulherada! Espero ter ajudado a descomplicar este assunto que gera tanta confusão. Mas se restou alguma dúvida, mande pra gente ou converse com seu médico de confiança.

Beijinhos e até a próxima.

Fonte: 1) Obstetrícia – Zugaib, 2008; 2) Williams – Obstetrícia, 2000; 3) O que é o fator Rh e como ele afeta minha gravidez – BabyCenter Brasil.