A doença inflamatória pélvica, também conhecida como DIP, é causada pela “subida” de microrganismos do trato genital inferior (vagina e/ou colo do útero) até o trato genital superior, podendo acometer útero, ovários, tubas uterinas, peritônio (camada que envolve os órgãos) e também estruturas que se encontram perto do trato genital superior.

O quadro clínico pode variar desde doença com poucos sintomas (cólicas e corrimentos com odor) até quadro infeccioso grave (abcessos intraabdominais, febre…), às vezes sendo necessário internamento hospitalar. Portanto, o diagnóstico e o tratamento precoces são essenciais; inclusive para prevenir sequelas que incluem gravidez ectópica, infertilidade por fator tubário, dor pélvica crônica, dor na relação sexual, entre outras.

A DIP acomete mais mulheres jovens, com maior prevalência na faixa dos 15 aos 39 anos. É rara antes dos 15 anos e após a menopausa.

É originária de microorganismos sexualmente transmissíveis em 90% dos casos e tem como causa várias bactérias (polimicrobiana). Em algumas situações pode ser devida a manipulação  (inserção de DIU, biópsia de endométrio, curetagem).

A identificação dos fatores de risco para DIP pode ajudar na prevenção e no tratamento. Alguns fatores de risco: início precoce da atividade sexual, mulheres com múltiplos parceiros sexuais, história prévia de doença sexualmente transmissível, vaginose bacteriana, tabagismo/alcoolismo (fatores que diminuem a imunidade). O uso de DIU, se a paciente for portadora de cervicite (inflamação do colo do útero) aumenta o risco de DIP.

O diagnóstico é dificultado devido à diversidade do quadro clínico. A maioria dos sintomas são dor pélvica, dor na mobilização do colo uterino no exame físico e dor na palpação dos anexos (ovários e trompas), corrimento com cheiro forte. Outros sintomas associados:  febre, náuseas e vômitos, massa na pelve ao ultrassom, sangramento irregular devido a endometrite (infecção da camada interna no útero), sintomas urinários, dentre outros.

A avaliação clínica e análise dos sintomas são muitos importantes para o diagnóstico, podendo ser complementado com exames de sangue, urina, ultrassom, culturas de material do colo uterino ou da secreção vaginal.

Os agentes mais comuns são Chlamydia trachomatis( 15 a 65% das pacientes) e Neisseria gonorrhoea(35 a 50% dos casos).

O tratamento inclui o uso de antibióticos de amplo espectro (que “matem” várias bactérias). Normalmente é indicado o uso de 2 ou 3 antibióticos durante o tratamento, dependendo do caso. E em alguns casos o tratamento deve ser hospitalar e às vezes até cirúrgico.

É necessário acompanhamento das pacientes regularmente durante o tratamento e também deve ser feito tratamento para o parceiro.

Importante!! O risco de DIP em usuárias de DIU está limitado às 3 primeiras semanas de inserção do DIU  e é incomum após esse período. Não há evidências de que o DIU deva ser removido em pacientes com DIP.

Acho que deu para esclarecer um pouco né?! Importante sempre a avaliação de seu ginecologista!! Beijos e até a próxima!!

Fonte: (1) Manual de Ginecologia e Obstetrícia SOGIMIG, 5ª edição; (2) Rotinas em Ginecologia Freitas, 6ª edição.