Muitas mulheres chegam ao consultório após noites mal dormidas devido a um – ou mais –  nódulos na ultrassonografia da tireoide. Após uma visitinha ao dr. Google, e também devido ao próprio termo “nódulo”, ficam nervosas porque relacionam diretamente com um câncer.

A primeira coisa a fazer é acalmar e saber que nódulo na tireoide raramente é sinônimo de algo maligno. Se fizermos ultrassom em todo mundo, veríamos que mais da metade da população tem algum nódulo, principalmente mulheres idosas.

“Mas eu ouvi dizer que estão aumentando os casos de câncer de tireoide!”

Sim, estão. Principalmente o tipo menos agressivo. Mas se aumentaram, é porque estão sendo diagnosticados bem mais. Principalmente devido à melhora ao acesso a exames que vivemos atualmente.

O que importa realmente é: a mortalidade está diminuindo em qualquer lugar: Brasil, Estados Unidos ou Europa.

“Há alguma coisa que eu possa fazer para prevenir?”

Infelizmente não é tão simples. O fator de risco maior é ter sido exposta à radiação quando criança, seja em tratamentos (como por exemplo o tratamento de linfoma) ou ambiental (há uma altíssima taxa em sobreviventes do acidente de Chernobyl). Lembrando que a quantidade de radiação de uma mamografia NÃO influencia no risco de câncer de tireoide. (Quem assistiu ao vídeo alegando tal ligação, se quiser ler mais sobre isso, o próprio dr. Drauzio Varella desmente em seu site e descomplicamos esse assunto aqui.)

Outros fatores existem, como ter algum caso na família, ser mulher, mas quero lembrar que não são obrigatórios, ou seja: não é porque você tem um fator de risco, que vai ter câncer, e não é todo mundo que teve câncer que tem algum fator de risco! Sem desespero! Lembre-se que ele ainda é um achado raro!

Após encontrar um nódulo, o próximo passo geralmente é a PAAF – Punção Aspirada por Agulha Fina. Uma biópsia guiada por ultrassom que não precisa de jejum ou anestesia. A maior complicação pode ser um roxinho no pescoço por alguns dias e um desconforto leve que passa no dia seguinte. Esse exame é o mais importante de todos, porque nele que vamos descartar ou não o câncer.

Como tratamento, curto e grosso: cirurgia. É a única forma que conseguimos curar o câncer de tireoide. Encaminhamos para o cirurgião de cabeça e pescoço, que realiza a tireoidectomia total (retirada da tireoide). Após a cirurgia, na grande maioria dos casos, é realizada a iodoterapia, para destruir qualquer célula da tireoide que tenha ficado no nosso corpo. Cada vez mais, a dose está diminuindo, e em alguns determinados casos, nem fazemos!

“Dos males, o menos pior”: o câncer diferenciado de tireoide mesmo quando diagnosticado avançado ainda tem altas taxas de cura e sobrevida também!

Então, sem desespero, descomplique e procure um endocrinologista!

Referências: (1) Nódulo tireoidiano e câncer diferenciado de tireoide: atualização do consenso brasileiro http://www.inca.gov.br/bvscontrolecancer/publicacoes/edicao/Estimativa_2016.pdf
(2)https://drauziovarella.com.br/cancer/mamografia-e-cancer-de-tireoide/