Hello grávidas! Agora que você faz parte deste mundo gravídico, posso apostar que você já ouviu falar em grau da placenta, e se não ouviu, calma! Já já você vai ouvir esse termo. Este assunto traz muitas dúvidas e inclusive entre os médicos há certa discordância sobre o tema.

Mas o que é isso então? Vamos por partes… A placenta é peça fundamental na gestação. Há quem diga que é a principal, pois sem placenta não há bebê. É a placenta a fonte de oxigênio e nutrientes para o feto, ou seja, o bebê se alimenta e respira por ela.

E aonde entra o GRAU???

Com o passar da gestação é natural que ocorra um depósito de cálcio na placenta e com o avançar da idade gestacional, mais cálcio será depositado… por isso que falam que a placenta está “envelhecida”. Até perto das 24 semanas de gravidez as calcificações são microscópicas e geralmente a partir do início do terceiro trimestre, começamos a visualizá-las na ecografia.

O grau da placenta nada mais é do que a forma que visualizamos estas calcificações ao ultrassom, elas aparecem como pontos brancos na placenta. Essa classificação foi feita em 1979 por Grannum et al. e funciona mais ou menos assim:

  • Grau 0: não vemos calcificações;
  • Grau I: alguns pontos brancos pela placenta;
  • Grau II: as calcificações começam a formar septos;
  • Grau III: as calcificações desenham todo o lobo da placenta;

Essa pesquisa sugeriu que nos casos em que a placenta tinha um grau mais avançado, maior a relação lecitina/esfingomielina, que traduzindo, significa que provavelmente é maior a maturidade do bebê. Mas aqui está o “pulo do gato”: mesmo com esse resultado não podemos afirmar com 100% de certeza que quanto maior o grau mais maduro o bebê, ou seja, não devemos e nem podemos marcar uma cesárea, garantir que o bebê está pronto para nascer, porque o grau da placenta está II ou III!!! Devemos nos basear pela idade gestacional e não pela placenta! Exemplo: Caso você não queira o parto normal (sem polêmicas aqui), é mais seguro agendar uma cesárea com 40 semanas e placenta grau I, do que com 38 semanas e placenta grau 2!

Primeiro porque o estudo mostrou uma relação entre placenta e maturidade e não uma garantia. Outra coisa: a avaliação do grau da placenta é subjetiva, ou seja, um médico pode achar que está grau I e outro grau II, ou até um mesmo médico pode olhar num dia e achar que o grau é um e se olhar de novo vai achar que o grau é outro…

Existem alguns fatores (cigarro, pressão alta…) que podem acelerar o processo de calcificação placentária – e é isso que nos preocupamos – não queremos que esteja um grau II ou III antes do tempo, pois significa que tem menos área funcionante e aumenta a chance de insuficiência placentária (falta de fluxo para o bebê), um perigo! Nestes casos utilizamos o Doppler para ver se a placenta está “funcionando”o suficiente para garantir o bem-estar do bebê (você pode descomplicar esse exame nesse post aqui ó). Em outros casos, como o diabetes e a isoimunização, as calcificações demoram mais para aparecer…

Agora que você já descomplicou o assunto, derrube os mitos sobre o grau da placenta!

Até a próxima!

FONTE: (1)Pastore, Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia; (2)Reproducibility of placental maturity grade classification using a dynamic ultrasonography, Ricardo D. Delle Donne, Rafael F. Bruns et al The Journal of Maternal-Fetal & Neonatal Medicine; (3)Conceitos atuais sobre avaliação da maturidade pulmonar fetalhttp://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2014/v42n3/a4784.pdf

FOTO DA CAPA: http://www.independent.co.uk/news/world/australasia/facebook-photo-of-baby-with-his-placenta-still-attached-prompts-discussion-about-maori-post-birth-a6802426.html