Mamães e papais ansiosos… cá venho eu escrever sobre um tema um tanto quanto polêmico, afinal, todos querem compartilhar seus bons momentos dentro de uma sala de ultrassonografia com toda a família, e, muitas vezes, com bem mais gente, não é mesmo?!

Mas, temos de trazê-los para a realidade, pois, em primeiro lugar, devemos lembrar que o exame que estará sendo realizado, é um exame médico, portanto, não se trata de filme com direito a pipoca e diversão garantida…

Para muitos isso pode parecer estranho, afinal de contas, alguma pessoas entendem a complexidade do momento e do ato médico que está prestes a ser executado, mas, a grande maioria das pessoas não se dá conta disso. Isso que estou lhes dizendo não é uma crítica, mas um alerta, pois nem sempre teremos as melhores notícias, por mais que a alegria seja o que mais predomina nas salas de exames ultrassonográficos na área obstétrica.

Deve-se sempre se ter em mente de que o profissional que está realizando o exame precisa de concentração, pois, por mais que pareça algo muito “simples”, exige conhecimento, habilidade na aquisição das imagens e na sua interpretação.

Talvez fique mais fácil através de exemplos práticos:

Iniciamos o exame endovaginal (todo o início de gestação deve ser avaliado dessa forma) e a criança quer ver o irmãozinho, o pai quer saber a frequência cardíaca, a avó quer saber se são gêmeos e a gestante quer saber se tem descolamento… todos falando, todos questionando o profissional, muitas vezes a criança pequena já está chorando, pois não entende nada e não vê irmãozinho algum… mesmo que as notícias sejam ótimas, pode-se imaginar o quão difícil esse tipo de ambiente torna a realização do exame.

No exame da translucência nucal todos preocupados com o  sexo do bebê, o pai vendo o “garotão”, a mãe preocupada pois a outra avó não pôde entrar, a criança chorando porque não entende nada, a tia mandando whatsApp para a família, os celulares de todos na sala iluminando e apitando pois chegaram as mensagens no grupo familiar (afinal todos curiosos para saber se é menino ou menina)  e, esse é “apenas “ o principal exame de rastreamento de anomalias cromossômicas aquele que será um divisor de águas no aconselhamento da gestação…  como o profissional faz para se concentrar em meio a essa algazarra?!

No morfológico, inicia-se medindo a cabeça, a avó quer saber onde está o pé, o pai quer confirmar o sexo, o irmãozinho não enxerga nada e fica perguntando se vai demorar muito… e por aí vai… ressaltando-se que esse é o exame mais detalhado da gestação, aquele que dirá se o feto está ou não bem formado!

Vejam futuros papais e mamães: ninguém quer privar ninguém de dividir esses momentos tão especiais com quem é especial para vocês, apenas tenho a intenção de lhes mostrar o quanto um ambiente desfavorável tira a atenção do médico que está realizando o exame do seu bebê! Por isso, atentem-se ao número de acompanhantes que as clínicas permitem, desliguem seus celulares antes de entrar na sala de exame médico, evitem levar crianças que rapidamente perderão o interesse e lhes causarão distração, fazendo com que vocês mesmos não possam curtir esse momento tão importante.

Nunca gostamos de pensar que as coisas podem dar errado, mas, às vezes as gestações não evoluem bem, e, não deixem de pensar se as pessoas que estão com vocês na sala são aquelas que vocês gostariam de compartilhar momentos difíceis?!

Enfim, vocês podem perguntar qual é o momento de levar os avós? Os padrinhos? Os irmãos? Como sugestão: depois do morfológico de segundo trimestre, pois a gestação já estará na sua segunda metade, a anatomia e desenvolvimento fetais já terão sido bem avaliados e será o momento de avaliar basicamente o crescimento e bem-estar. Quem sabe vocês podem até realizar um exame tridimensional para tentar ver com quem o bebê será parecido… afinal de contas é outro o momento, muito mais tranquilo e propício para compartilhar com a família e amigos.

Curtam a gestação e propiciem o melhor ambiente possível para o médico que examinará o seu bebê!