Agora que vocês já sabem o que é gestação ectópica (GE), vamos falar sobre os três tipos de tratamento possíveis: Expectante, Medicamentoso e as opções cirúrgicas.

É importante informar que existem outros tipos de tratamento além do cirúrgico e que esses dependem de alguns fatores como níveis de Beta hcg no sangue; tamanho do saco gestacional e quadro clínico da mulher (sintomas).

Tratamento Expectante
A GE pode resolver-se espontaneamente por meio de regressão ou abortamento tubário. Essa opção só deve ser oferecida quando a ecografia não conseguir detectar a localização do saco gestacional, com beta hcg menor do que 2000 e em declínio, associado a progesterona também em queda, e principalmente quando a mulher está bem, sem sintomas e estável clinicamente.
Nessa conduta os níveis de beta hcg devem ser acompanhados até sua negativação.

Tratamento Medicamentoso
Existe também um tratamento com remédio; é uma medicação injetável, com dose e manipulação específica para cada mulher, realizada preferencialmente por via intramuscular. As principais indicações para esse tipo de tratamento são:

  • GE tubárias em casos estáveis, sem hemorragias; com saco gestacional com menos de 3,5 cm de diâmetro; níveis de Beta hcg menores do que 5000 e sem embrião com atividade cardíaca no interior do saco gestacional.
  • GE não comuns (abdominal; ovariana; cervical- colo do útero-);
  • Profilaxia (prevenção) da GE persistente após tratamento cirúrgico conservador (cirurgia que mantém a trompa que havia sido afetada).

Tratamento Cirúrgico
Indicado em casos de pacientes instáveis hemodinamicamente (ou seja, com muito sangramento, muita dor abdominal) e dependendo de alguns fatores como níveis de beta hcg e tamanho do saco gestacional.
Pode ser realizada remoção do saco gestacional por meio de incisão sobre a trompa e preservação da mesma, ou a retirada da trompa.  A escolha entre um ou outro é discutível. O risco em ambos os procedimentos é o mesmo; tendo como desvantagens do primeiro método o risco de persistência de tecido e o risco de recorrência de GE na trompa afetada.
Se optado por preservação da trompa (considerado tratamento padrão para mulheres que desejam preservar a fertilidade, especialmente se a trompa do outro lado já não existe ou encontra-se danificada), é essencial o acompanhamento com beta hcg até esse se tornar negativo. Muitas mulheres falam que foi realizada um “cesareana”, porém a técnica cirúrgica é totalmente diferente, e não há corte no útero.

Sugere-se a realização de salpingectomia (retirada da trompa) nas seguintes situações:

  1. Sangramento de difícil controle na trompa afetada/ruptura da trompa;
  2. GE recorrente nessa mesma trompa;
  3. Tuba uterina muito danificada;
  4. Nas tentativas de preservar a trompa (salpingostomia) com sangramento persistente;
  5. Gestação tubária maior que 5 cm e beta hcg muito elevado;
  6. Mulheres com prole definida;
  7. Plano de fertilização in vitro.

Em casos de gestação abdominal, beeeem raras, retira-se o concepto e avalia-se onde a placenta está inserida para decisão de retirá-la ou não. Se a gestação está localizada no colo do útero a melhor tentativa é com tratamento medicamentoso local.

As gestações ectópicas são em sua imensa maioria inviáveis, ou seja, não há como o feto se desenvolver sem causar uma hemorragia grave na mãe.

Espero ter ajudado um pouquinho!! Mas lembrem-se; em situações como essa; é muito importante a avaliação de seu obstetra!! Beijos e até a próxima!!!

Fonte: Rotinas em Obstetrícia- Freitas, 6ªedição.