Minha filha está com corrimento, é normal? Essa dúvida preocupa muito as mamães de meninas, afinal de contas, uma criança pode ter corrimento vaginal? A resposta é sim, isso pode acontecer e não, não é normal, mas é muito comum, tanto que essa é a principal queixa ginecológica relacionada a crianças.

Aliás, existem duas situações em que um corrimento normal, fisiológico como chamamos, pode aparecer: na bebê recém-nascida que ainda sofre estímulo dos hormônios da mamãe, e na menina que em alguns meses terá a primeira menstruação (chamamos de menarca).

Em geral a vulvovaginite na criança (esse é o nome da inflamação na região genital da menina e que pode ou não vir acompanhada de corrimento), ocorre porque algum agente rompe o equilíbrio entre os germes que existem habitualmente na vagina. São em sua grande maioria decorrentes da dificuldade de higiene adequada, e ainda porque a própria anatomia da criança favorece tudo isso  (a vagina é próxima ao ânus, a menina ainda não tem pêlos, ainda não possui estímulo hormonal e os pequenos lábios são planos, isso dificulta o fechamento da vulva), e aí surgem as vulvovagintes inespecíficas.

Embora seja mais raro, também pode haver uma causa específica, ou seja, o agente causador não faz parte da flora vaginal normal, e aí pode  ser por contaminação que veio das vias aéreas (após um resfriado por exemplo), do intestino (por contaminação bacteriana ou até por alguns tipos de vermes), das mãos, presença de corpo estranho e também de uma DST (doenças sexualmente transmissíveis).

A menina ainda pode ter só a vulva acometida, chamamos de vulvite, que pode ser causada por microorganismos ou até mesmo por reação alérgica ou de contato local. Nesse caso não existe corrimento, mas pode existir dor, vermelhidão, coceira e dor para fazer xixi (e aí devemos diferenciar de infecção urinária). Algumas vezes pode ser necessária a coleta de material da região genital da criança, exame de urina e de fezes.

O tratamento da forma inespecífica, que é a mais comum, começa, e muitas vezes se resolve, somente com as medidas gerais de aprimoramento da higiene. Banhos de assento também podem ser usados, desde que prescritos pelo médico. Em casos selecionados e após a realização dos exames complementares, medicações podem ser necessárias. Na forma específica, o tratamento depende de qual foi o agente causador encontrado, e é aí que as DST podem estar envolvidas (o real medo das mamães) e se esse for o caso, devemos sempre investigar abuso sexual. Mas, lembrem-se, esses casos são exceções e não regra!

Algumas medidas simples ajudam a evitar o aparecimento das vulvovaginites: manter as unhas das princesas curtas e limpas, lavar bem a região com sabão neutro no banho e se possível após evacuação, ensinar as meninas como fazer a higiene (de frente para trás), evitar uso de roupas sintéticas e muito apertadas e quando ainda há uso de fraldas fazer trocas com higiene frequente.

Se sua filha apresentar corrimento,  com ou sem odor, coceira, dor, irritação ou sintomas urinários, não se desespere, mas procure uma ginecologista, sua filha merece esse cuidado!

Fonte: Rotinas em Ginecologia, 5a. edição