Os movimentos fetais iniciam-se por volta da 8ª semana de gestação, mas só são percebidos pela gestante por volta de 16 a 20 semanas. Mesmo as mamães de primeira viagem conseguem perceber adequadamente os movimentos fetais. Um estudo nacional realizado na Clínica Obstétrica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo constatou uma boa concordância entre a percepção materna dos movimentos fetais e os movimentos constatados simultaneamente pela ultrassonografia.

A intensidade dos movimentos varia de bebê para bebê e também com a idade gestacional, indo desde uma agitação fraca no início da gravidez a movimentos bruscos e, algumas vezes, visíveis, posteriormente. Quanto o parto está próximo e o bebê, devido ao seu tamanho, fica “apertadinho” dentro do útero, ele costuma mexer menos.

Muitas gestantes ficam preocupadas porque seu bebê mexe demais. Mal sabem elas que isso é um bom sinal. A movimentação fetal ativa e frequente é tranquilizadora quanto ao prognóstico fetal. Devemos nos preocupar, portanto, quando o bebê está mexendo menos que o normal. Mas como saber ao certo se ele está mexendo menos? Ele não pode estar apenas com preguiça ou tirando um cochilo? Calma! Vamos descomplicar…

Existe um importante instrumento de avaliação da movimentação fetal chamado MOBILOGRAMA que a própria gestante pode utilizar no conforto do seu lar. É um método simples, barato, disponível e confiável para avaliação do bem estar do bebê. Geralmente o obstetra o solicita quando a data provável do parto está se aproximando, quando a gestante refere que não está sentindo o bebê mexer bem e também em algumas gestações de alto risco.

Não há uma padronização quanto ao método de registro. O Ministério da Saúde recomenda o método que vamos explicar logo abaixo pela sua praticidade, mas se o seu médico orientar a realização do mobilograma de uma maneira diferente, siga a orientação dele.

A gestante deve escolher um período do dia para realizar a contagem dos movimentos e se alimentar antes do início do registro. Em posição semissentada com a mão sobre o abdome, deve registrar os movimentos do feto, anotando o horário de início e de término do registro. A contagem deve ser realizada por um tempo máximo de uma hora. Registrando seis movimentos por um período de tempo menor, não é necessário manter a observação durante uma hora completa. Se decorrido uma hora, a gestante não foi capaz de contar seis movimentos, deverá repetir o procedimento. Se na próxima hora ela não sentir seis movimentos novamente, deverá procurar imediatamente a sua maternidade e entrar em contato com o seu médico.

Fonte: 1) Williams Obstetrícia, 2011; 2) Pré-natal, parto, puerpério e atenção ao recém-nascido, Curitiba: Secretaria Municipal de Saúde, 2012; 3) Nomura et al. Concordância entre a percepção materna dos movimentos fetais e a visualização pela ultrassonografia. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 2013, 35(2):55-59.